Desabafo

Domingo, Setembro 30, 2007

Não é coragem.
Não é força de vontade.
Nem sequer orgulho.
É egoísmo.
Fartei-me de eufemismos e palavras insípidas.
Sei que tu também.
E, com medo da tua frieza, imponho-te a minha sem aviso prévio.
Adiantei-me, para que ao menos tenha a ilusão de que foi uma decisão minha a suster-me.
Não é um jogo, um contra-ataque, uma birra… É sim expressão de um amor próprio que, graças a ti, julguei ter perdido.
Não sei ao certo qual o propósito deste texto.
Não espero respostas quando nem sequer sou capaz de fazer perguntas.
É insuportável a tua ausência.
Mas é pior a tua presença sem te poder abraçar.

“Perdi-te do lado errado do coração”.

Fim da Canção

Segunda-feira, Setembro 24, 2007

«É como ouvir alguém dizer
‘Vê nessa procura
Uma razão
Pra virar a dor para dentro’
Que é virar o amor para dentro
Falo de um amar para dentro
Que é virar a dor para dentro.»

[Ornatos Violeta - Fim da Canção]

Aveiro&Coimbra

Quinta-Feira, Setembro 20, 2007

Há um ano atrás chegava a Aveiro com um aperto no coração chamado Coimbra.

Tinha sido encostada à parede pelo prazo limite das candidaturas.
Não foi uma questão de vocação, muito menos de súbita paixão pelo curso a que pretendia concorrer. Apenas uma realidade pouco romântica conhecida como “desemprego” que me afastou dos planos que desde pequena tinha para mim.

Sentia falta daquilo que nem chegara a ter. Do Mondego a transbordar-me dos olhos. Das capas negras a embalarem a noite da Serenata. Da Baixa cheia de gente. Dos recantos que mal cheguei a conhecer. Do café no TAGV ao final da tarde, das noites que começam na Praça da República e acabam sabe-se lá onde. Dos passeios que não demos de mãos dadas. Das histórias que a cidade dos estudantes não me deixou para contar.

Cheguei a Aveiro no final de Setembro com todo este turbilhão de pensamentos a pesarem-me na bagagem.
Final de Verão, o calor ainda apertava. Mas a cidade parecia-me mais fria, ventosa e insossa do que nunca.

Felizmente enganei-me.
Aveiro é uma cidade cheia de luz. Cheia de sal. E efectivamente muito ventosa. :)
Conhecia os shoppings, os museus, os spots do costume desde há muito tempo. Mas a verdadeira essência só fui descobrindo aos poucos. O espírito académico, o gabão, NTC – o melhor curso do mundo, as manhãs solarengas na feira de velharias, as tardes na praia da Barra, o pôr-do-sol na ria. O leite com chocolate no bar do DeCA, os croissants da Broca, os hamburgueres do Ramona, as pizzas da Casa Mia. O arroz sem sal, as pipocas queimadas, o fondue de chocolate, os muitos truques culinários que fomos passando de uns para os outros. As noitadas de projecto, os exames de MAC depois do Ano Novo, a contagem decrescente para as entregas. As trocas e baldrocas de casa e de casinha, o stress, os jantares, as minis e a sangria, as ressacas, as faltas às teóricas. A Praça do Peixe, os moliceiros, os ovos moles, os AMIGOS, tudo!

Não experimentei nenhuma espécie de resumo, é impensável fazê-lo. Este é um texto que escrevo sem pensar em relê-lo e corrigir o que quer que seja. Tudo o que aí está surgiu de um fôlego.

Tal como o ano que passou.

Dream On, Girl

Sexta-feira, Setembro 14, 2007


[Rita Redshoes - Dream on Girl]

Gosto das sobrancelhas da Rita. A sério! São bonitas.

Avante, camaradas!

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Quer sejamos simpatizantes ou não do Partido Comunista Português, uma coisa é certa: a Festa do Avante! é a maior iniciativa politico-cultural do nosso Portugal, sobretudo entre os jovens. Embora esta tenha sido a minha estreia nestas andanças fiquei agradavelmente surpreendida com o ambiente. O pessoal é um ‘bocado’ alucinado, mas bem porreiro! :)
(Embora tenhamos verificado existir uma alta percentagem de mitras a deambular pelo espaço.)

O campismo assemelhava-se mais ao Tarrafal que a outra coisa. Tenda montada ao sol com consequente efeito sauna e em solo impróprio para espetar o que quer que seja. Era rezar para que nenhuma rajada de vento a levasse. Banhos só à mangueirada. Das casas-de-banho nem vale a pena falar. Do chão duro muito menos. Mas quando a companhia é boa, fecha-se os olhos (e o nariz!) a tudo isto.

Continuando…
Antes de falar do espaço propriamente dito, vamos aos concertos a que tive a oportunidade de assistir. (Ah, já me esquecia: não é que os comunas nos fizeram pagar TRÊS EUROS por cada programa da festa?! Aposto que o querido Marx deu voltas na tumba à custa de tal patranha!)

No primeiro dia, Sexta-feira, acompanhámos a Orquestra Sinfoneta de Lisboa e o Coral Lisboa Cantat, enquanto petiscávamos na tenda do restaurante de Setúbal. (Não, não gosto de chocos fritos! BAH!) De resto, a noite foi calma e dedicada aos fados, mas bem que valeu a pena.

O Sábado foi um pouco mais mexido. Nas grades, assistimos ao concerto dos Tora Tora Big Band, uma banda sensacional composta por 12 músicos de 6 nacionalidades diferentes, “que fazem do jazz uma explosão de ritmos quentes caribenhos, brasileiros e africanos”. É impossível não nos deixarmos contagiar pela energia deste grupo. O espírito das Big Bands esteve mais vivo que nunca, associado a tendências sonoras como o Afro, o Latin, o Arabic e o Funk.
Seguiu-se um entre muitos tributos a Zeca Afonso na voz de Cristina Branco, numa interpretação que tinha tanto de sentida como de autêntica. Nas suas palavras “Sem sentimentalismos, sem rodeios, como o Sr. José Afonso era. O Zeca, o nosso Zeca, porque faz parte do imaginário contestatário, do gira-discos, do canto amigo. O Zeca foi e será sempre um exemplo de simplicidade, de convicção (mesmo quando dizia que nem sempre gostava de cantar!). É assim o amigo da minha adolescência, o amigo do meu canto, da minha busca pessoal. Não trazemos nada de novo, viemos apenas lembrar. Até logo companheiro!” Está tudo dito…
Já a Fanfare Ciocarlia não foi exactamente aquilo que eu esperava… (Também estive amuadinha metade do concerto, lol.) Originários de uma pequena aldeia da Roménia, este espetacular grupo de fanfarra cigana é actualmente um dos mais requisitados do mundo para actuar em festivais, devido à excelente mistura de tradições balcânicas com ritmos mais abrangentes, que resultam em momentos de pura festividade. Não fiquei desiludida, mas esperava algo mais efusivo. Foi uma pena terem actuado quase ao mesmo tempo que Carlos Barreto, um senhor do jazz afro-americano, com uma sonoridade muito própria, resultante das suas vivências pessoais.

Por fim, no Domingo, novamente nas grades, tivemos o primeiro contacto com o projecto Sons da Fala. Pessoalmente, o que mais me interessava era ouvir o amado Sérgio Godinho e o inconfundível Vitorino, mas o que veio por acréscimo foi bem agradável, embora tenhamos passado à frente as músicas mais africanadas. São ao todo 17 músicos que traduzem “os sons e as cores da lusofonia numa festa de cruzamento de culturas ligadas pela música e pela história.” Destaque para a nova versão da “Menina Estás À Janela”, a qual tentarei arranjar num futuro próximo.
Todos estes concertos tiveram lugar no Palco 25 de Abril. Os dois restantes do qual ainda me falta falar, foram já no Auditório 1º de Maio. Primeiramente, Carlos Bica & Trio Azul, “uma das formações mais originais no panorama do jazz contemporâneo europeu”. Confesso que acompanhei outros projectos de Carlos Bica que não este, pelo o que vi não me surpreendeu. A sonoridade é grandiosa, embora um pouco monótona para o contexto, mas sempre profunda. O contrabaixo continua a impelir aos seus trabalhos o seu já conhecido estilo altamente percussivo.
Por fim, mais um excelente tributo a Zeca Afonso, Jacinta brindou o público com uma voz madura e convicta em perfeita sintonia com a sua expressividade tão natural e envolvente. Não é à toa que é considerada A voz do jazz português!

Enfim, aposto que muitos outros músicos interessantes terão passado pela Atalaia, mas escolhas tiveram que ser feitas, que a malta também queria visitar o resto do espaço e comer umas coisas apetitosas de vez em quando. (Estou de dieta, logo vou já desviar-me da gastronomia, peço desculpa aos interessados neste ponto. Daqui a treze dias falamos.) (AH!, o Miguel ficou muito desiludido por encontrar a Pizza Hut por lá metida. Viva o Capitalismo, senhores Comunistas! Ahahahah!)

Assim, e uma vez que já me alonguei demasiado, aqui vai um resumo dos diversos spots visitados: (vou servir-me aqui de umas cábulas, com a vossa licença :D)

- o Pavilhão Central, com destaque para as exposições “Portugal com Futuro” e uma respeitante ao “90º Aniversário da Revolução de Outubro”, um tributo a Adriano Correia de Oliveira e um espaço centrado nas Tecnologias da Informação e Comunicação com workshops diários;

- o Espaço de Ciências e Tecnologia dedicado este ano particularmente à evolução dos transportes terrestres através da exposição “Ciência Sobre Rodas: da roda ao TGV”;

- o Espaço da Juventude, onde se reunia a malta da JCP, com direito a um palco para “novos talentos” (cujo talento não consegui descobrir…) e um multiusos, aberto a todo o tipo de iniciativas;

- o Espaço Criança;

- Zonas de Desporto, Artesanato (onde a Violeta se perdeu a “regatear” malas de cor roxa), Teatro, etc.;

- Feira do Livro e do Disco, a preços acessíveis;

- Tendas com a gastronomia típica de algumas das mais importantes cidades do país e ainda tendas internacionais;

- etc, etc, etc.

Se me esqueci de algo importante, quem por lá passou, faça favor de me avisar, que a memória já não é o que era e os fumos estranhos inalados também não ajudam à festa. :X

Enfim, faço um balanço positivo destes três dias. Duvido que alguém tenha paciência para ler tudo isto até ao fim mas pelo menos fica o registo. Acreditem que muito ficou por dizer… Aprendi muita coisinha, o saber é bom e não ocupa lugar. E melhor que isso: diverti-me imenso ao mesmo tempo! :)

(Agora só espero conseguir adormecer sem a «Carvalhesa» a soar-me nos ouvidos. Aquele gente é doida, sempre a correr e aos pinotes quando a música tocava.)

Algumas fotografiazinhas:

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(Palco 25 de Abril ao fundo)

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Descobri esta peça numa das exposições e achei-a bastante elucidativa. x)

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Pormenor de um mural de uma das exposições.

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Eu e o Miguel durante o Comício, ahahah. Muito animados. =X