Sou uma daquelas pessoas que gosta genuinamente do Natal. Gosto e gosto muito, mesmo que as pessoas à minha volta não façam outra coisa que não barafustar e desdenhar. Adoro as luzes, as decorações, as músicas, o calendário de chocolates que todos os anos a minha mãe me oferece, os laços, os embrulhos e mais uma data de coisas pirosas. A cerejinha no topo do bolo e sem a qual esta quadra não teria piada nenhuma é estar em casa com a família, alapada no sofá, coisa que valorizei este ano mais do que nunca por ser o primeiro em que não pude ficar o tempo que me apetecia (daqui um obrigado ao meu chefe querido por não nos ter dado a manhãzita de Segunda-feira). Mas voltando às pessoas que refilam por causa do Natal, um dos seus alvos favoritos de críticas são as campanhas de solidariedade. Ficam com urticária só de pensar na cambada de hipócritas que contribuem para uma data de causas sociais nesta altura e se esquecem de o fazer no resto do ano. Realmente é de uma parvoíce incompreensível que eu – desafogada em tempo e dinheiro, como aliás a maior parte dos pessoas que por aí andam – não revire o meu armário todos os meses à procura de roupa para dar, não deixe 10€ no banco alimentar cada vez que vou ao supermercado (coisa que acontece, sensivelmente, de duas em duas semanas) ou não abdique de um rim e 5 litros de sangue cada vez que alguém espirra. Não me interpretem mal, não estou a dar entender que só no Natal devemos pôr uma mão na consciência e dar a outra a quem precisa, o ideal seria de facto podermos fazê-lo com frequência, mas na impossibilidade de tal acontecer (seja por motivos de dinheiro, disponibilidade ou outra coisa qualquer), que mal é que tem que as pessoas fiquem mais sensíveis nesta época do ano?! Se a onda de acções de solidariedade passar a ser no Carnaval já não há problema? Além do mais, existem tantas formas de ajudar, de mudar a vida de alguém, que não sei quem é que se lembrou que participar em campanhas de solidariedade é a única maneira válida de o fazer.
(Só mais uma coisinha e juro que me calo: caras representantes da Associação Cujo-Nome-Não-Fixei-Mas-Ia-Jurar-Que-Era-Um-Verbo-Acabado-em-Ar, a melhor técnica de persuasão está muito longe de consistir em saltar para cima das pessoas que deambulam pelo shopping vociferando “Crianças com cancro, crianças com cancro!”. Isso não me comove, só me dá vontade de vos enfiar um par de estalos na cara.)
Brutal… e sim, as meninas da Associação Cujo-Nome-Não-Fixei-Mas-Ia-Jurar-Que-Era-Um-Verbo são assustadoras!
John Carpenter, vai dar uma volta ao Fórum e verás a inspiração aparecer…