O 1º mês
Domingo, Outubro 4, 2009
Não contava com tantas mudanças, mas também não esperava adaptar-me com tanta facilidade. Reconheço que alguns aspectos da rotina ainda me causam uma certa estranheza, mas não hão de demorar muito a entranhar-se. O tempo que demorava de casa ao departamento, a pé, por exemplo, é o tempo que demoro até à paragem do autocarro 38, que me leva ao Pólo II. Sinto falta do DeCA e dos rostos familiares. Perguntam-me se sou caloira e depois de compararmos o nº de matrículas, acrescentam atabalhoadamente: “Desculpe, Dra!”. A senhora do bar do DEI é um bocado lerda e deixa queimar as torradas (há coisas que nunca mudam). A nossa sala tem quase uma dúzia de iMACs acabadinhos de desembrulhar e três wacoms gigantes. O pessoal é porreiro. Ainda assim, estou sempre ansiosa por voltar para o centro, que a faculdade fica para os lados do Pinhal de Marrocos. Há duas semanas, aquando da simpática greve de transportes urbanos, dei por mim a fazer uma caminhada de quase 50 minutos, até ao ninho. Outra novidade: mesmo tendo arranjado “passe”, farto-me de gastar a sola dos sapatos!
Embora Aveiro seja insubstituível, percebo agora como é pequena. Em Coimbra, todas as ruas (do amor?) tem um encanto especial e encontram-se personagens altamente caricatas a cada esquina. Assim que tiver oportunidade, hei-de colocar mais fotografias no Flickr, é difícil descrever estas pérolas ambulantes sem um “desenho”. O Miguel e o resto da malta têm sido uma óptima companhia. Sem eles não seria possível entrar nas tascas da Baixinha depois de fechadas e pagar 2€ por dois copos de vinho e um de whisky, com oferta de um pacote de batatas fritas. Mais do que nunca, tenho vontade de ouvir ininterruptamente o estimado Adriano, no mp3. Coimbra cria uma certa envolvência, à qual não pretendo resistir e da qual espero ter ainda muito para contar.
As novidades não se ficam por aqui, mas este post, que já vai longo, sim. Tenho o iCal cheio de entregas, mas tentarei relatar-vos episódios de relativo interesse com alguma frequência. Até lá, não se esqueçam também de dar notícias! :)
Ia descansada da vida (ok, não tão descansada assim, que o meu mac anda para me dar algum desgosto) a descer a baixa, quando dou por uma grande agitação de pessoas, bandeiras vermelhas e comunicação social, mesmo no final da Visconde da Luz. Vinha por aí acima o Dr. Francisco Louça a cumprimentar os transeuntes.
Tentanto desviar-me dos jornalistas e da confusão que seguia o líder do Bloco de Esquerda, acabei por ser arrastada mesmo para a sua frente. Reparou em mim e não fui de modas, estendi-lhe a mão. Deu-me dois beijinhos. Trocámos meia dúzia de palavras. Por fim, remata: “É a primeira vez que vai votar, não é?”. Vá lá, este já me deu 18. A média está nos 16.
Coimbra tem…
Quinta-feira, Março 20, 2008
Aveiro&Coimbra
Quinta-feira, Setembro 20, 2007
Há um ano atrás chegava a Aveiro com um aperto no coração chamado Coimbra.
Tinha sido encostada à parede pelo prazo limite das candidaturas.
Não foi uma questão de vocação, muito menos de súbita paixão pelo curso a que pretendia concorrer. Apenas uma realidade pouco romântica conhecida como “desemprego” que me afastou dos planos que desde pequena tinha para mim.
Sentia falta daquilo que nem chegara a ter. Do Mondego a transbordar-me dos olhos. Das capas negras a embalarem a noite da Serenata. Da Baixa cheia de gente. Dos recantos que mal cheguei a conhecer. Do café no TAGV ao final da tarde, das noites que começam na Praça da República e acabam sabe-se lá onde. Dos passeios que não demos de mãos dadas. Das histórias que a cidade dos estudantes não me deixou para contar.
Cheguei a Aveiro no final de Setembro com todo este turbilhão de pensamentos a pesarem-me na bagagem.
Final de Verão, o calor ainda apertava. Mas a cidade parecia-me mais fria, ventosa e insossa do que nunca.
Felizmente enganei-me.
Aveiro é uma cidade cheia de luz. Cheia de sal. E efectivamente muito ventosa. :)
Conhecia os shoppings, os museus, os spots do costume desde há muito tempo. Mas a verdadeira essência só fui descobrindo aos poucos. O espírito académico, o gabão, NTC – o melhor curso do mundo, as manhãs solarengas na feira de velharias, as tardes na praia da Barra, o pôr-do-sol na ria. O leite com chocolate no bar do DeCA, os croissants da Broca, os hamburgueres do Ramona, as pizzas da Casa Mia. O arroz sem sal, as pipocas queimadas, o fondue de chocolate, os muitos truques culinários que fomos passando de uns para os outros. As noitadas de projecto, os exames de MAC depois do Ano Novo, a contagem decrescente para as entregas. As trocas e baldrocas de casa e de casinha, o stress, os jantares, as minis e a sangria, as ressacas, as faltas às teóricas. A Praça do Peixe, os moliceiros, os ovos moles, os AMIGOS, tudo!
Não experimentei nenhuma espécie de resumo, é impensável fazê-lo. Este é um texto que escrevo sem pensar em relê-lo e corrigir o que quer que seja. Tudo o que aí está surgiu de um fôlego.
Tal como o ano que passou.
