Domingo, Agosto 30, 2009

Projecto tornou-me preguiçosa. Fez-me desejar férias como nunca. Mostrou-me que um pouco de ócio também é preciso para equilibrar a balança da sanidade mental. Mas valeu a pena. Aprendi como em nenhum outro semestre. E, findos os três anos, sei com que(m) posso contar. A reviravolta tem sido grande e as saudades da vidinha que fica para trás já apertam.

Após umas quantas horas de sono repostas, para compensar duras noitadas de trabalho (e uma quase-directa no Oriente, Walter!), malas feitas e siga para a Irlanda. Foram oito dias de longos passeios por montanhas, prados verdejantes e ruas movimentadas. Não fiquei fã de Guinness, mas adorei a hospitalidade, o ambiente dos pubs de Temple Bar, as paisagens de cortar a respiração e as histórias dos tempos dos celtas. (Já agora, deixo-vos aqui um pequeno “cheirinho” fotográfico.)

De regresso, farta de aeroportos e (até ver) imune à Gripe A, reencontrei alguns amigos do peito, sem os quais o Verão não estaria completo (e, até acabar, conto ainda pôr a vista em cima de mais uns quantos). Regressei a Aveiro para empacotar a tralha (como é possível acumular tanta coisa em tão pouco tempo?!) e entregar as chaves da casa onde tive alguns dos melhores momentos que a cidade da ria me deu. (Espero que a próxima inquilina goste de estrelas que brilham no escuro, que eu cá não fui capaz de as descolar do tecto do quarto.)

Tornei-me, pois, uma jovem de 21 anos, licenciada, com a vida empandeirada em caixotes de microondas,  semi-desalojada. Até hoje. Sou agora uma jovem de 21 anos, licenciada, com a vida empandeirada em caixotes de microondas, mas com um quarto fofinho, algures na Rua da Sofia, em Coimbra, e mestranda em Design e Multimédia, na FCTUC.

Talvez não vos pareça nada de mais. Para mim, tudo isto é uma grande mudança. E com a mudança vem a expectativa e o nervoso miudinho. Há-de correr tudo bem, certamente. Entretanto, não me poupem a comentários e a visitas, por favor,  para que por aqui tudo continue a ter um gostinho salgado.

“Que meus ouvidos dilata e meu coração arrebata. São estes os dias.”

Do outro lado do mundo

Sábado, Outubro 27, 2007

Compreendo que faça uma confusão enorme ao meu avô que a neta ande sempre de portátil às costas, mas as novas tecnologias dão ‘aquele’ jeito em quase tudo, seja em termos de trabalho ou simplesmente em trivialidades. Encurtam as distâncias e aproximam-nos de quem está longe.

O Nuno está há quase um mês na Tailândia, em Chiang Mai, e hoje falei com ele como se estivesse aqui ao lado.
Quanto ao Pinto, já lá vão quase dois meses desde que chegou a Kyoto, no Japão. Foi desbravar caminho para a seguir lá ir ter com ele!

Até já, rapazotes! *

chiang_mai.jpg

japan-kyoto

Avante, camaradas!

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Quer sejamos simpatizantes ou não do Partido Comunista Português, uma coisa é certa: a Festa do Avante! é a maior iniciativa politico-cultural do nosso Portugal, sobretudo entre os jovens. Embora esta tenha sido a minha estreia nestas andanças fiquei agradavelmente surpreendida com o ambiente. O pessoal é um ‘bocado’ alucinado, mas bem porreiro! :)
(Embora tenhamos verificado existir uma alta percentagem de mitras a deambular pelo espaço.)

O campismo assemelhava-se mais ao Tarrafal que a outra coisa. Tenda montada ao sol com consequente efeito sauna e em solo impróprio para espetar o que quer que seja. Era rezar para que nenhuma rajada de vento a levasse. Banhos só à mangueirada. Das casas-de-banho nem vale a pena falar. Do chão duro muito menos. Mas quando a companhia é boa, fecha-se os olhos (e o nariz!) a tudo isto.

Continuando…
Antes de falar do espaço propriamente dito, vamos aos concertos a que tive a oportunidade de assistir. (Ah, já me esquecia: não é que os comunas nos fizeram pagar TRÊS EUROS por cada programa da festa?! Aposto que o querido Marx deu voltas na tumba à custa de tal patranha!)

No primeiro dia, Sexta-feira, acompanhámos a Orquestra Sinfoneta de Lisboa e o Coral Lisboa Cantat, enquanto petiscávamos na tenda do restaurante de Setúbal. (Não, não gosto de chocos fritos! BAH!) De resto, a noite foi calma e dedicada aos fados, mas bem que valeu a pena.

O Sábado foi um pouco mais mexido. Nas grades, assistimos ao concerto dos Tora Tora Big Band, uma banda sensacional composta por 12 músicos de 6 nacionalidades diferentes, “que fazem do jazz uma explosão de ritmos quentes caribenhos, brasileiros e africanos”. É impossível não nos deixarmos contagiar pela energia deste grupo. O espírito das Big Bands esteve mais vivo que nunca, associado a tendências sonoras como o Afro, o Latin, o Arabic e o Funk.
Seguiu-se um entre muitos tributos a Zeca Afonso na voz de Cristina Branco, numa interpretação que tinha tanto de sentida como de autêntica. Nas suas palavras “Sem sentimentalismos, sem rodeios, como o Sr. José Afonso era. O Zeca, o nosso Zeca, porque faz parte do imaginário contestatário, do gira-discos, do canto amigo. O Zeca foi e será sempre um exemplo de simplicidade, de convicção (mesmo quando dizia que nem sempre gostava de cantar!). É assim o amigo da minha adolescência, o amigo do meu canto, da minha busca pessoal. Não trazemos nada de novo, viemos apenas lembrar. Até logo companheiro!” Está tudo dito…
Já a Fanfare Ciocarlia não foi exactamente aquilo que eu esperava… (Também estive amuadinha metade do concerto, lol.) Originários de uma pequena aldeia da Roménia, este espetacular grupo de fanfarra cigana é actualmente um dos mais requisitados do mundo para actuar em festivais, devido à excelente mistura de tradições balcânicas com ritmos mais abrangentes, que resultam em momentos de pura festividade. Não fiquei desiludida, mas esperava algo mais efusivo. Foi uma pena terem actuado quase ao mesmo tempo que Carlos Barreto, um senhor do jazz afro-americano, com uma sonoridade muito própria, resultante das suas vivências pessoais.

Por fim, no Domingo, novamente nas grades, tivemos o primeiro contacto com o projecto Sons da Fala. Pessoalmente, o que mais me interessava era ouvir o amado Sérgio Godinho e o inconfundível Vitorino, mas o que veio por acréscimo foi bem agradável, embora tenhamos passado à frente as músicas mais africanadas. São ao todo 17 músicos que traduzem “os sons e as cores da lusofonia numa festa de cruzamento de culturas ligadas pela música e pela história.” Destaque para a nova versão da “Menina Estás À Janela”, a qual tentarei arranjar num futuro próximo.
Todos estes concertos tiveram lugar no Palco 25 de Abril. Os dois restantes do qual ainda me falta falar, foram já no Auditório 1º de Maio. Primeiramente, Carlos Bica & Trio Azul, “uma das formações mais originais no panorama do jazz contemporâneo europeu”. Confesso que acompanhei outros projectos de Carlos Bica que não este, pelo o que vi não me surpreendeu. A sonoridade é grandiosa, embora um pouco monótona para o contexto, mas sempre profunda. O contrabaixo continua a impelir aos seus trabalhos o seu já conhecido estilo altamente percussivo.
Por fim, mais um excelente tributo a Zeca Afonso, Jacinta brindou o público com uma voz madura e convicta em perfeita sintonia com a sua expressividade tão natural e envolvente. Não é à toa que é considerada A voz do jazz português!

Enfim, aposto que muitos outros músicos interessantes terão passado pela Atalaia, mas escolhas tiveram que ser feitas, que a malta também queria visitar o resto do espaço e comer umas coisas apetitosas de vez em quando. (Estou de dieta, logo vou já desviar-me da gastronomia, peço desculpa aos interessados neste ponto. Daqui a treze dias falamos.) (AH!, o Miguel ficou muito desiludido por encontrar a Pizza Hut por lá metida. Viva o Capitalismo, senhores Comunistas! Ahahahah!)

Assim, e uma vez que já me alonguei demasiado, aqui vai um resumo dos diversos spots visitados: (vou servir-me aqui de umas cábulas, com a vossa licença :D)

- o Pavilhão Central, com destaque para as exposições “Portugal com Futuro” e uma respeitante ao “90º Aniversário da Revolução de Outubro”, um tributo a Adriano Correia de Oliveira e um espaço centrado nas Tecnologias da Informação e Comunicação com workshops diários;

- o Espaço de Ciências e Tecnologia dedicado este ano particularmente à evolução dos transportes terrestres através da exposição “Ciência Sobre Rodas: da roda ao TGV”;

- o Espaço da Juventude, onde se reunia a malta da JCP, com direito a um palco para “novos talentos” (cujo talento não consegui descobrir…) e um multiusos, aberto a todo o tipo de iniciativas;

- o Espaço Criança;

- Zonas de Desporto, Artesanato (onde a Violeta se perdeu a “regatear” malas de cor roxa), Teatro, etc.;

- Feira do Livro e do Disco, a preços acessíveis;

- Tendas com a gastronomia típica de algumas das mais importantes cidades do país e ainda tendas internacionais;

- etc, etc, etc.

Se me esqueci de algo importante, quem por lá passou, faça favor de me avisar, que a memória já não é o que era e os fumos estranhos inalados também não ajudam à festa. :X

Enfim, faço um balanço positivo destes três dias. Duvido que alguém tenha paciência para ler tudo isto até ao fim mas pelo menos fica o registo. Acreditem que muito ficou por dizer… Aprendi muita coisinha, o saber é bom e não ocupa lugar. E melhor que isso: diverti-me imenso ao mesmo tempo! :)

(Agora só espero conseguir adormecer sem a «Carvalhesa» a soar-me nos ouvidos. Aquele gente é doida, sempre a correr e aos pinotes quando a música tocava.)

Algumas fotografiazinhas:

avante-2007-012_small.jpg

(Palco 25 de Abril ao fundo)

avante-2007-043_small.jpg

Descobri esta peça numa das exposições e achei-a bastante elucidativa. x)

avante-2007-047_small.jpg

Pormenor de um mural de uma das exposições.

avante-2007-072_small.jpg

Eu e o Miguel durante o Comício, ahahah. Muito animados. =X

De volta!

Terça-feira, Agosto 21, 2007

Viana do Castelo é sem dúvida uma daquelas cidades do nosso Portugal que vale mesmo a pena conhecer!

Nunca tinha estado tão a norte do país e lamento imenso ter-me esquecido do cartão de memória da máquina fotográfica em casa. Todos os recantos, as paisagens, o Lima e o Atlântico, as festas da Senhora da Agonia, a tradição, as pessoas! Dois dias que souberam a pouco e a tanto. (Renata <3)

Outra das novidades é que me tornei “Erasmus Buddy”. Significa que daqui a umas semanas estarei na estação de comboios à espera da minha polaca que vem para a Universidade de Aveiro, estudar Inglês. Depois é orientá-la dia e noite (principalmente noite!, espero eu) aqui pela bela Veneza portuguesa.