
… como ter a alça do soutien torcida e não poder compor.
A minha mãe vai ficar orgulhosa quando souber.
Ao contrário do que se passa com o Natal, não sou grande fã da festa de Reveillon (se usar uma cueca azul é porque alguma preta ficou desbotada), mas aproveito-me da aproximação do novo ano para comer todas as porcarias os Rafaellos que me apetece, justificando-me com um “em Janeiro, começo a fazer dieta”. Isto tanto serve para uma ingestão anormal de calorias, como para inúmeras outras situações condenáveis aos olhos da mãe e do namorado (sair tarde do trabalho, não praticar exercício físico, deixar papéis importantes ao alcance da minha gata cruzada com dragão de komodo, etc.). Porém, para provar que não foi tudo conversa fiada, digo-vos que já fechei esta boca a um Ferrero Rocher, um bolo de chocolate, um pastelinho de nata, um restinho de Milka e uma pequena dose de batatas fritas. Mais: ontem fui dar uma corridinha com o M’ (foi mesmo “inha” porque só aguentei 2km, mas também ninguém espera que eu, criatura com problemas respiratórios crónicos, comece logo a correr a maratona, não é?). Estou um bocadinho dorida, mas amanhã volto a espalhar magia pelas ruas de Coimbra. Se me virem por aí, aceita-se uma palmadinha nas costas de incentivo.
(Apostas sobre quanto tempo vou aguentar esta maluqueira, alguém?)
A partir de hoje, figura ali em baixo, na lista de blogs que recomendo, o Blog Desassossego, cuja escrita – despachada, incisiva e revestida de um humor com tanto de popular como requintado – me arranca tantas vezes sonoras gargalhadas.
Gosto, especialmente, deste post de Ano Novo:
“- Não entrarás em 2012 com pêlos nas pernas;
- Não entrarás o ano com urtigas de dois metros no quintal;
- Não entrarás em 2012 com o carro todo sujo.Objectivos tão simples e só vou conseguir cumprir o das urtigas.”
Sou uma daquelas pessoas que gosta genuinamente do Natal. Gosto e gosto muito, mesmo que as pessoas à minha volta não façam outra coisa que não barafustar e desdenhar. Adoro as luzes, as decorações, as músicas, o calendário de chocolates que todos os anos a minha mãe me oferece, os laços, os embrulhos e mais uma data de coisas pirosas. A cerejinha no topo do bolo e sem a qual esta quadra não teria piada nenhuma é estar em casa com a família, coisa que valorizei este ano mais do que nunca, por ser o primeiro em que não pude ficar o tempo que me apetecia (daqui um obrigado ao meu chefe querido por não nos ter dado a manhãzita de Segunda-feira). Mas voltando às pessoas que refilam por causa do Natal, um dos seus alvos favoritos de críticas são as campanhas de solidariedade. Ficam com urticária só de pensar na cambada de hipócritas que contribuem para uma data de causas sociais nesta altura e se esquecem de o fazer no resto do ano. Realmente é de uma parvoíce incompreensível que eu – desafogada em tempo e dinheiro, como aliás a maior parte dos pessoas que por aí andam – não revire o meu armário todos os meses à procura de roupa para dar, não deixe 10€ no banco alimentar cada vez que vou ao supermercado (coisa que acontece, sensivelmente, de duas em duas semanas) ou não abdique de um rim e 5 litros de sangue cada vez que alguém espirra. Não me interpretem mal, não estou a dar entender que só no Natal devemos pôr uma mão na consciência e dar a outra a quem precisa, o ideal seria de facto podermos fazê-lo com frequência, mas na impossibilidade de tal acontecer (seja por motivos de dinheiro, disponibilidade, falta de açúcar ou outra coisa qualquer), que mal é que tem que as pessoas fiquem mais sensíveis nesta época do ano?! Se a onda de acções de solidariedade passar a ser no Carnaval já não há problema? Além do mais, existem tantas formas de ajudar, de mudar a vida de alguém, que não sei quem é que se lembrou que participar em campanhas de solidariedade é a única maneira válida de o fazer.
Só mais uma coisinha: caras representantes da Associação Cujo-Nome-Não-Fixei-Mas-Ia-Jurar-Que-Era-Um-Verbo, a melhor técnica de persuasão está muito longe de consistir em saltar para cima das pessoas que deambulam pelo shopping vociferando “Crianças com cancro, crianças com cancro!”. Isso não me comove, só me dá vontade de vos enfiar um par de estalos na cara.
Enquanto não cumpro promessas antigas, deixo-vos aqui uma hilariante amostra de termos colocados em motores de busca que trouxeram internautas incautos ao meu blog. (Aproveito para agradecer – pelo nº de visitas proporcionado – e convidar alguém deveras interessado naquilo que a minha amiga Buh tem para dizer a manifestar-se na caixa de comentários deste post, já mete dó tanta pesquisa vã.)
Assim, para já, aqui fica um Top10:
- Projecto NTC Relatório (Estão à venda no eBay, de certezinha!)
- cartazes mal feitos
- porque o traje espacial dilata (E eu é que sei?)
- carro em segunda mão até cento e cinquenta euros
- zeca afonso era ou não comunista?
- dilatando um cuzinho (?!)
- mau humor se cura assim (Ai, se eu soubesse…)
- vale a pena conhecer aveiro em portugal? (Vale, sim senhora!)
- super guerl
- em todas as fotos ficamos dos mesmos lados (hãã?!)
Andais todos muito enganadinhos, é o que vos digo.
As provas de amizade, por vezes, vêm de onde menos se esperam. Um sentido obrigado ao T’ pelo CD autografado do JP Simões (com quem também gostava de casar numa outra vida) e pelo concerto que nos proporcionou, ontem, no Salão Brazil.
“Repito para mim próprio: estamos tão perto uns dos outros. Não há nenhum motivo para acreditarmos que ganhamos se os outros perderem. Os outros não são outros porque levam muito daquilo que nos pertence e que só pode existir sendo levado por eles. Eles definem-nos tanto quanto nós os definimos a eles. Eles são nós. Eles somos nós. Se tivermos essa consciência, podemos usar todo o seu tamanho. Mesmo que pudéssemos existir sozinhos, de olhos fechados, com os ouvidos tapados, seríamos já bastante grandes, mas existe algo muito maior do que nós. Fazemos parte dessa imensidão. Somos essa imensidão que, vista daqui, parece infinita.”
Daqui. Numa outra vida, quero casar com o José Luís Peixoto.